quarta-feira, 29 de abril de 2009

Enfoques sobre a História da Economia

O conhecimento e a prática da Economia constituem-se em coisas muito antigas. Às vezes considerada ciência, às vezes não, a Economia exerce papel fundamental na vida das sociedades humanas. Lidando com frios e ásperos números e cotações, foi várias vezes denominada "a ciência triste". Segundo a versão de Margarite Youcenar, o imperador Adriano dizia que "um negócio de arroz com o Egito valia mais do que muitos tratados de Política". As navegações e instituição de colônias na antiguidade(os fenícios e Vikings, por exemplo), o regime de trocas e comércio em mercados, as associações de ligas comerciais, o artesanato, o transporte de riquezas(Marco Polo, por exemplo), tudo isso convergiu para a necessidade de regulamentar em teoria essa prática tão importante para os povos e para as nações. Em tempos muito antigos, os mercadores do Mar do Norte se encontravam ao sul com outros do Oriente nas planícies francesas(Champagne, por exemplo) para negociarem. Uma banca muito original ali surgiu, a saber, aquela que trocava dinheiro por dinheiro, os primeiros cambistas e os primeiros papéis, letras e cheques assim se originaram. Com o fim da idade média e início da idade moderna, as navegações se constituiram na principal fonte de renda da burguesia emergente(a partir da descoberta da América por Colombo - as Índias Ocidentais - e das próprias Índias(orientais), O regime da nobreza se enfraquecia e a terra se tornava uma mercadoria como qualquer outra, não mais ofertada por méritos de suserania e vassalagem. Mas é nos séculos XVIII e XIX que começou-se a se pensar na Economia como um conhecimento objetivo e possível de estruturação sistemática. O grande economista daqueles tempos foi o inglês Adam Smith, com sua obra principal, "A Riqueza das Nações". O único problema fundamental de Smith foi sua não admissão da Economia como realidade e processo basicamente sociais, ao contrário, ele considerava o fato econômico como acontecendo a partir de um homem praticamente isolado do mundo, um tipo de "Robson Crusué"(Marx, mais tarde, criticará Smith por suas "robsonadas"). Com Quesnay, Gournay, Petty e outros, fundou-se a mentalidade chamada fsiocrata, uma idéia de Economia completamente livre, ausente de leis e fundamentalmente submetida à lei da oferta e da procura. "Deus criou o mundo mas tão exerce nenhuma vontade sobre ele", tal era o princípio fisiocrata vigente(a fisiocracia foi suplantada mais tarde por Karl Marx). Houve também um economista no século XIX, David Ricardo, que teve como mérito fundamental a criação do valor econômico não centrado no mercado mas no universo do trabalho. Assim, criou o conceito de mais-valia, poder e força de trabalho a ser destituído do trabalhador pelo patronato. O contexto econômico político ou Economia Política determinante dessa exploração se constitui no Estado capitalista moderno. Marx, por sua vez, tomou de Ricardo a tese da mais-valia e com ela fez uma leitura prospectiva e retrospectiva da história da humanidade com ênfase no seu método histórico(materialismo histórico) e no seu método filosófico(materialismo dialético). Marx, como Ricardo, centralizou a teoria da Economia Política no valor-trabalho. Escreveu as obras "Crítica à Economia Política" e "O Capital", esse último um enorme tratado sobre aquela sua proposta de Economia. Contudo, a Economia marxista progressivamente se enfraqueceu e sua teoria foi mais e mais se movimentando do mundo do trabalho para aquele do mercado, tal como formularam Jevons e Walras. Já no século XX, com a crise de 1929 e a depressão dos anos 30, um novo papel proposto para o Estado moderno foi aquele de intervenção ativa nas Economias nacional e internacional, o controle da moeda e do regime econômico, salário, emissão de dinheiro e títulos, taxa de juros, regulação da inflação, promoção do crescimento econômico, investimento no mercado e nas bolsas e lançando títulos na Economia como quaisquer outras empresas, essas coisas relacionadas com a existência necessária de um banco central. Essas teses, até então inéditas, foram assim teorizadas e propostas pelo eminente economista inglês John Maynard Keynes, o qual pessoalmente trabalhou no controle de preços na Economia norte-americana nos tempos da crise dos anos 30. Hoje, no nono ano do século XXI, a partir da crise imobiliária nos EUA e na quebradeira de bancos regionais daquele país(principiando com um dado banco específico que trabalhava essencialmente com correntistas inadimplentes), o mundo inteiro caiu numa crise não vista desde o ano de 1929. Os Estados nacionais e seus blocos de mercado têm investido bilhões de dólares em lastro para salvar enpresas e indústrias(alguns desses bilhões só dirigidas para as três montadoras de Detroit, a Ford, a Chrysler e a General Motors nos EUA). Todos nós sabemos que a crise das bolsas se constitui basicamente em crise de confiabilidade e eventos virtualmente destituídos de muita importância passam a valer muito para o regime e vivência acionária cotidiana. O mundo capitalista já tem admitido a realidade recessiva, palavra "recessão" já é pronunciada nos mercados ao redor do mundo. Talvez um neo-keynesanismo interventor e atuante possa salvar objetivamente o mundo da profundidade crítica vivenciada pelo universo capitalista vigente nesses dias muito dilemáticos e dramáticos(Spartacus).

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