quarta-feira, 15 de abril de 2009

Sobre o Movimento Reacionário de 1964

No início dos anos 60 o Brasil era governado pela dupla Jânio Quadros e João Goulart e a renúncia do primeiro associado à ascensão ao poder do segundo gerou uma crise institucional sem precedentes. Para neutralizar o poder de Goulart, foi proposto um plebiscito a fim de ratificar ou não o parlamentarismo. Contudo, esse regime alternativo foi rechaçado. A ilusória ameaça do comunismo rondava as mentes dos militares brasileiros como uma verdadeira fobia e o presidente João Goulart era mal visto pelas forças armadas. Sua visita à China e o derradeiro comício da Central do Brasil foram a gota d´água que desencadeou a reação militar. Realizou-se o movimento nacional da Legalidade, com sede principal no RGS e comando de Leonel Brizola(Miguel Arraes no Nordeste também protestou). Este movimento defendia o mandato soberano do presidente João Goulart, este último decidindo renunciar para evitar uma guerra fratricida. Assim, refugiou-se no Uruguai, seguido de Brizola e portanto a resistência contra o movimento militar reacionário abortou. Assim, em 31 de março de 1964 os militares brasileiros realizaram um golpe de Estado sobre as instituições democráticas do Brasil, sendo apoiados pela política externa dos EUA(operação Brother Sam, verificou-se uma movimentação militar aérea e naval norte-americana sobre o território brasileiro). Assim, o Congresso foi fechado e as garantias políticas individuais foram suspensas, sendo o general Castelo Branco o primeiro presidente da revolução militar. Até o período de governo do segundo presidente militar, Costa e Silva, as liberdades políticas foram relativamente conservadas e já se pensava em abertura política. Contudo, com a controvertida morte desse último presidente(foi muito questionado como se deu a sua sucessão) e a ascensão ao poder do general Médici(de ultradireita) ocorrera segundo a análise de Leonel Brizola, houve "um golpe dentro do golpe". Assim, promulgou-se o AI-5 e o édito 477 como instrumentos totalitários de repressão a políticos e estudantes. O congresso dos estudantes da UNE foi dissolvido e os estudantes presos. Muitos brasileiros foram banidos e se exilaram no exterior. No governo de Médici vivenciou-se um imenso patriotismo ufanista("Brasil, ame-o ou deixe-o") e financeiramente ocorreu o chamado "milagre brasileiro" sobre a égide de Delfim Neto. A guerrilha ocorria em regiões no interior do Brasil mas ninguém sabia de nada. É nesta época a vitória futebolística do Brasil no México, conquistando o tricampeonato mundial na Copa de 70. Desde o início da ditadura até a metade dos anos 90, a inflação foi o algoz que fustigava a população brasileira, conservando-se sempre próximo ao índice de 100%. Isso ocorria porque a principal fonte de dólares eram os exportadores e para se motivarem e acharem conveniente exportar, o dólar devia estar muito valorizado em relação à moeda nacional de modo a obterem grande quantidade desta no câmbio com os dólares do comércio exterior os quais finalmente chegariam às mãos do Banco Central para pagar apenas o serviço da dívida externa e nada mais. Essa foi a dinâmica econômica dos tempos de ditadura no Brasil. Médici foi sucedido por Geisel, o qual promoveu a controvertida construção das usinas nucleares em Angra dos Reis. Após a morte de Vladimir Herzog e sua grande repercussão, o presidente Geisel ordenou imediatamente o fim da tortura. O último presidente militar foi João Figueiredo, o qual foi encarregado de promover a abertura e o retorno dos exilados ao Brasil. Essa transição foi muito controvertida, houve episódios dramáticos tais como o atentado do Rio-Centro, por exemplo. Já no ano de 1984, o Congresso Nacional elegeu indiretamente Tancredo Neves como presidente da República, o qual veio a falecer dias depois, sendo sucedido pelo vice-presidente José Sarney. A gestão de Sarney, sob a égide do ministro Maílson da Nóbrega(Plano Verão), foi cabalmente catastrófica na área econômica. O Brasil somente experienciaria um derradeiro contexto democrático com a eleição livre para presidente ocorrida em 1989, no qual Luís Ignácio Lula da Silva e Fernando Collor de Melo se degladiaram, resultando infelizmente esse último candidato de extrema direita como vitorioso(o chamado Plano Collor foi um verdadeiro desastre, ele confiscou as poupanças em todo o Brasil e foi indiciado com um impeachment devido ao comportamento lobista de PC Farias na presidência da República. Finalmente, a economia brasileira somente tomaria prumo na gestão do vice-presidente de Collor, Itamar Franco, pois Collor de Melo fora excluído da presidência. Itamar teve como ministro da economia o professor Fernando Henrique Cardoso, o qual promoveu o denominado "Plano Real"que baniu categoricamente e de modo histórico a inflação da economia brasileira. Ascendendo ao poder após dois mandatos sucessivos de Cardoso, o ex-sindicalista Lula que atualmente governa o Brasil em seu segundo mandato(2009) tem tentado de um modo razoável conservar a obra de Cardoso na esfera econômica e social do Brasil contemporâneo(Spartacus).





Nenhum comentário:

Postar um comentário