Embora existindo comércio desde os tempos mais antigos, é no fim da idade média e no início da idade moderna que o capitalismo passa a ser definido. Este pode ser classificado em várias modalidades, a saber, em ordem, o mercantilismo, o industrialismo e o tipo financeiro, este último considerado sua forma mais avançada, co-adjuvante à fase exploratória colonial denominada imperialismo. Em tempos muito pretéritos, os mercadores vindos do Oriente e aqueles provenientes do Mar do Norte convergiam para a planície francesa da Champagne a fim de comercializar suas mercadorias(uma novidade nessas feiras foram as bancas que não mais comerciavam bens mas trocavam moedas, num enfoque puramente financeiro). As rotas das Américas e do Oriente suscitaram um intenso colonialismo de tipo predatório e extrativista(civilizações inteiras foram dizimadas), embora a ocupação dos EUA pelos ingleses não se caracterizou por aquela destrutividade colonialista. A saber, existiram duas corridas coloniais, uma na idade moderna(a partir do século XVI) e outra na idade contemporânea(a partir do século XIX). A primeira foi motivada pelo bloqueio da rota mediterrânea pelos turcos forçando outras rotas, por exemplo, ao sul(vencendo-se o cabo das tormentas) ou ao oeste(realizada após a descoberta das Américas). O continente americano, a África, o Oriente próximo e o distante foram palco de intensa atividade comercial(tendo como um antecedente histórico os fenícios na antiguidade, os quais se supõe ter visitado a América muito antes de Cristóvão Colombo). De acordo com Eric Hobsbaum, imediatamente antes da revolução industrial inglesa ou no século XVII, o capitalismo vivenciou um processo crítico ou depressivo, finalmente progredindo para aquela revolução industrial. O processo industrial inglês possibilitou a transferência do ouro lusitano e hispânico para a Inglaterra, devido à comercialização de bens industrializados. Para Adam Smith e Quesnay, por exemplo, o capitalismo de sua época pode ser definido como liberal ou fisiocrata("deixe fazer, deixe passar, o mundo segue por si mesmo"). Assim, a lei da oferta e da procura reinava paradigmática e soberanamente. É a partir de David Ricardo que a economia passa do mercado para a produção, com o conceito ricardiano de "mais-valia". Verifica-se que Karl Marx tomou de Ricardo esse conceito e o agregou à sua filosofia materialista dialética da sociedade e da economia. Assim num modo fundamental, com o conceito de mais-valia, Marx realizou uma leitura radical da história da humanidade, com base no paradigma econômico universal. Sua obra "O Capital" marcou época no século XIX. Neste século, o comunismo, o socialismo e o anarquismo, ideologias de esquerda instituintes pairavam sobre a sociedade européia assombrando o capitalismo instituído. Mas é nesse contexto que ocorre uma reação na teoria econômica, transferindo o eixo desta novamente do mundo do trabalho(produção) para o mercado, nas teorias de Jevons e Walras. Contudo, é no fim dos anos vinte do século XX que o capitalismo mundial sofre o seu maior revés histórico. Mais precisamente no ano de 1929, quando a bolsa de valores de Nova Iorque quebrou, levando à quebra das outras remanescentes em todo o mundo capitalista. Isso se deu devido a disparidade entre a realidade comercial e produtiva e o regime de valorização das ações no mercado de capitais nos EUA. Um grande progresso econômico vivenciado pelos EUA no pós-guerra, quando este país fornecera bens em geral à Europa em construção começou a sofrer uma desaceleração progressiva quando os EUA passaram a vender bens de capital àquele continente o qual começou a produzir os outros bens em geral por si mesmo, dispensando paulatinamente as exportações dos EUA. Houve então um dia no qual tudo se esclareceu e veio à luz, a denominada "quinta-feira negra", quando todos os acionistas nas bolsas dos EUA correram para vender suas ações e assim elas não valeram mais nada. Isso se deu no ano de 1929. Segundo o economista inglês John Maynard Keynes, para vencer a crise o Estado deveria tomar as rédeas da economia capitalista, controlar juros, emprego e moeda, intervir no processo econômico com o risco daquela economia sofrer um colapso final e irredutível. O próprio Keynes trabalhou no sistema de tabelamento de preços nos EUA. A iniciativa do governo Roosevelt para sanar a economia norte-americana centrou-se nas seguintes decisões: primeiro, devido à contração do crédito, a moeda nacional se super-valorizou relativamente às mercadorias e assim, Keynes, desvalorizou o valor-ouro do dólar e mandou destruir literalmente grandes quantidades de bens comercializáveis a fim de aproximar mais a moeda da produção(as ruas de Chicago foram inundadas de leite; aqui no Brasil, Vargas queimou grandes quantidades de café). Segundo, combateu o desemprego criando postos de trabalho em obras públicas: o Estado capitalista moderno passou então dramaticamente a existir. Contudo, os EUA só saíram da depressão dos anos 30 na segunda guerra mundial quando voltou a exportar bens para a Europa em conflito. Atualmente, em 2008, a partir da crise imobiliária e a quebra inicial de um banco que aceitava inadimplentes, a economia norte-americana entrou em colapso e uma nova crise econômica mundial se ocorreu no universo capitalista, num processo de quebra-quebra do tipo dominó num mundo totalmente globalizado. Os Estados em todo o mundo estão conjuntamente colocando bilhões e bilhões de dólares nas suas economias para salvar mercados e empresas, tais como as três principais montadoras de Detroit. A desinência "recessão" já está sendo abertamente empregada no mundo todo, teme-se de fato a condição de depressão econômica a se originar a partir dessa recessão(esta é o arrefecimento do crescimento econômico enquanto aquela é a estagnação deste crescimento). Estes fenômenos de crise apontam categoricamente para a existência de uma realidade aleatória, imprevisível, nociva, destrutiva e perversa do sistema capitalista, fato agravado pelo caráter global que condiciona o capitalismo universal em sua plena atualidade, a saber, o denominado capitalismo "neo-liberal".
P.S.: o Brasil, como economia dependente e periférica, sofre economicamente desde os tempos coloniais, vice-reino e república. Essa condição se estende por praticamente toda a sua história na comunidade de nações. É a partir de uma inflação de 100% que os militares deram o golpe de Estado em 1964. A necessidade da obtenção de dólares para pagar o serviço de uma dívida externa cada vez mais crescente forçou os sucessivos governos a inflacionar intencionalmente a moeda nacional a fim de satisfazer os setores exportadores a partir dos quais aqueles dólares eram originados, manter a inflação em 100% representou uma condição de sobrevivência. Isso ocorreu em continuidade à ditadura militar com planos econômicos como aqueles dos anos 70(cruzeiro novo), plano Cruzado, Plano Bresser, plano Verão e o plano Collor. É a partir da década de 90 que, sob a égide do ministro F.H. Cardoso que se realizou o plano Real que sanou definitivamente a economia nacional e zerou de fato a inflação. Como asseverado em artigo anterior, o presidente Lula tem tentado dar continuidade às condições econômicas originadas no período de governo do presidente Itamar Franco, quando F.H. Cardoso era o então ministro da economia(o plano Real foi simples, assumiu-se o atual valor do dólar naqueles dias, ele então valia Cr$ 2.750, criou-se a Unidade Relativa de Valor(URV) valendo aqueles Cr$ 2.750 e determinou-se a identidade dos Cr$ 2.750 com 1.0 Real, este último perfazendo finalmente a unidade monetária nacional e realizando deste modo a extinção da carga inflacionária existente).(Spartacus)
muito bom esse rezumo sobre o inicio do capitalismo e sua tajetoria ate os dias de hoje
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