sexta-feira, 10 de abril de 2009

O Anarquismo e a Filosofia Universal

Desde tempos mais remotos o homem busca autonomia e liberdade. A idéia de democracia e do direito surgiram na Grécia e Roma antigas a cerca de dois e meio milênios atrás. Sócrates, Aristóteles e Platão escreveram sobre política numa época na qual ainda existia escravatura sobre povos vencidos através de batalhas e em países ocupados militarmente(a denominada "Paz Romana"). Sócrates inclusive foi soldado, uma vez livrado da morte por Xenofonte. Na obra de Platão intitulada "A República", ele defendeu um regime político governado por filósofos. Na época de Cristo existira na Palestina ocupada a fraternidade dos Zelotas a qual lutava contra a ocupação romana naquela região. O próprio Cristo propôs uma postura existencial e vivencial apolítica, propondo a fé e a bondade como base de um intenso intimismo confessional. A partir de Jesus Cristo configurou-se as primeiras comunidades cristãs primitivas, as quais se supõe constituíram-se em singelo exemplo de "socialismo ácrata". Na idade média, o poder político se pulverizou e caiu nas mãos de inúmeros régulos, cada qual com sua própria lei, associado aos clérigos e ao lado desses oprimindo os campônios os quais eram vinculados à terra em que trabalhavam: o imaginário medievo se compôs de cavaleiros, sacerdotes e camponeses. Com o fim da idade média e o advento do renascimento europeu ocidental, numa retomada específica da antiguidade clássica, uma radical ênfase ao racionalismo tomou parte a partir de nomes como Descartes, Hobbes, Morus, Erasmo, Maquiavel, Cervantes e Campanella os quais intentaram promover na filosofia e no conhecimento universal os cânones do racionalismo científico. Mais tarde, no período denominado iluminismo, esse racionalismo se focou na política, na sociedade, na economia, na ideologia e na existencialidade humanas sendo de Rousseau a frase lapidar: "os homens nascem livres contudo os vemos agrilhoados em todos os lugares". Esse autor execrava aquele primeiro homem que demarcou uma erdade e a fez sua propriedade particular. As idéias do iluminismo francês cruzou o oceano atlântico e foi até a América do Norte quando e onde aquelas colônias inglesas se independizaram em 1776. Mais tarde, em 1789, a monarquia francesa colapsou através de uma grande e intensa revolução dotada de vários estágios. Ali se configurou uma primeira ênfase ácrata na chamada "Revolta dos Iguais", liderada por Graco Babeuf. Contudo, é no século XIX que o Anarquismo tomou lugar no contexto filosófico e político europeu, nas épocas de levantes datadas de 1830, 1848, 1868 e 1870, esta última dada chamada de "Comuna de Paris".Paralelamente a Marx(primeiramente um democrata radical e depois um comunista, com o seu "socialismo científico" ao lado de F. Engels), defendeu a causa socialista juntamente com os denominados "socialistas utópicos", representados por Fourier, Owen e Saint-Simon. Também, compondo sociedades secretas ou fraternidades, houve também Bakunin, Prodhon e Blanqui, o primeiro destes partilhando com Marx a liderança da primeira associação internacional dos trabalhadores(AIT). No século XX, a ideologia e prática anarquista tomou parte no episódio da frota do Mar Báltico(Kronstadt) e na revolução ucraniana(Makno e Arshinov). De 1936 a 1939, deu-se a revolução espanhola(chamada inadequadamente de "guerra civil") com a derrota das forças de esquerda, juntamente com a CNT e a FAI anarquistas. Houve movimentos libertários na na Hungria em 1956, na França(Maio de 1968) e na Polônia em 1971 e 1982(Lech Walesa e o sindicato Solidariedade). O Anarquismo, além de uma prática política(ação direta), é também uma filosofia canônica e também de vida, fortalecido e revigorado nas agremiações e associações apolíticas, sindicatos e ONGs que se engajam na luta dos indivíduos humanos contra toda as formas de opressão no planeta Terra(Spartacus).

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