terça-feira, 12 de maio de 2009

O PT e suas Contradições Intrínsecas

Nascido do movimento sindical brasileiro do fim dos anos 70, o PT surgiu como uma alternativa nova para a política nacional, relativamente tanto aos partidos tradicionais de esquerda(os comunistas) quanto os de centro-esquerda(o MDB de Simon e Ulysses e o trabalhismo tradicional de origem varguista de Brizola, por exemplo). O PT se originou nas greves do ABC paulista, em 1979-1980, sob a égide de Luís Ignácio da Silva, o líder sindical Lula, e logo se espalhou no seio dos trabalhadores mais conscientes e também no meio dos estudantes universitários e secundaristas). Depois de um processo dramático de angariação de assinaturas, o PT finalmente foi legalizado e pode participar do pleito para governador em 1982, o qual redundou em um grande fracasso para o PT. Não obstante, de 1982 a 1989, o PT elegeu um número crescente de representantes no legislativo e mesmo do executivo, num acúmulo tal que se viu preparado politicamente para disputar as eleições para presidência da república em 1989, chegando ao segundo turno e opondo-se ao candidato de extrema-direita Fernando Collor de Melo. Devido a uma difamação montada em última hora, Collor venceu aquela eleição e num par de anos depois, sofreu um impeachment sendo substituído por seu vice Itamar Franco. Depois da estruturação do plano Real pelo ministro Fernando Henrique Cardoso e de um par de mandatos à presidência da república pelo mesmo FHC, finalmente o PT encontrou sua grande e histórica chance com a eleição de Luís Ignácio "Lula" da Silva ao planalto central. O PT cresceu(diríamos, "inchou" se formos realistas) e tem ocupado grande número de cadeiras legislativas e do executivo também. Atualmente, o PT com Lula vivencia um segundo mandato e parece apresentar grande popularidade, embora esteja contextualizado em um enorme quadro de corrupção(de seis anos para cá poderíamos enumerar mais de trinta situações de escândalos políticos, fraudes e corrupção, desde José Dirceu, Valdomiro Diniz e a Loterj, até o caso Daniel Dantas, passando pela crise do mensalão). Ao ingressar em Brasília, o PT abandonou qualquer intenção revolucionária e professa uma simples e prática social-democracia, nos moldes do PCI eurocomunista e do "compromisso histórico" de Togliatti. Talvez o único mérito do governo Lula tem sido a preservação e continuidade do plano Real implantado por FHC em seus dois mandatos pretéritos. Não obstante esse horizonte nebuloso e cinzento de corrupção generalizada, o PT ainda intenta um terceiro mandato contínuo e o presidente Lula parece já ter uma candidata escolhida e de preferência desse mesmo presidente, a ministra Dilma Rouseff(a qual, para o infortúnio de Lula e seus epígonos, encontra-se dilematicamente enferma). Sob a égide de Guido Mantega e Henrique Meireles, a economia brasileira luta como pode para superar a crise mundial que abrange o mundo inteiro atualmente. Tanto o avanço econômico com o investimento na prospecção de petróleo como as iniciativas de cunho social do governo Lula, sua administração esboça boas intenções(até certa boa vontade) embora apresente contradições essenciais e intrínsecas que indicam uma limitação constitutiva de sua governabilidade. O PT(infelizmente para muitos revolucionários históricos) não consegue em seus mandatos transpôr os limites estamentais, políticos e ideológicos da social-democracia e isso tem suscitado a crítica aberta à esquerda de partidos mais radicais(como o PSTU e também os anarquistas, por exemplo). Resta-nos esperar que o Brasil ultrapasse a fronteiras políticas do governo Lula para verificar o que o futuro executivo e legislativo da república reserva para nós(Spartacus).


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